Se você é daqueles paulistanos que visita a região central uma vez ao ano para as compras de natal na 25 de março, prepare-se para encarar uma nova perspectiva do Centro de São Paulo.
Esta designer que aqui escreve é daquelas 'urbanóides' que ainda apreciam trocar o carro particular pelo velho ônibus elétrico ou a poderosa linha vermelha do metrô, trocar o shopping pela feira de antiguidade do Bexiga, a esteira da academia pelas incansáveis caminhadas pelo Centro de São Paulo. Sem contar é claro, que ainda prefere os amplos e charmosíssimos espaços públicos e privados centrais à aglomeração de gente e de concreto das construções contemporâneas.
Perdoem-na prezado leitor, se algumas vezes ela parecer demasiadamente saudosista ou piegas declamando seu amor ao centro, mas é que algumas vezes a pobre artista sente-se quase como que o mármore carrara do centenário Theatro Municipal projetado por Ramos de Azevedo, ou como o sino da Catedral da Sé que badala duas vezes ao dia há mais de 80 anos, ou ainda como os anjos alados que sustentam colunas de edifícios históricos da XV de Novembro, como se ela mesma fosse parte da paisagem que se encarrega de embelezar a quase 'imbelezável' feiura da selva de pedra.
Acontece que a mais antiga e importante região da cidade tem passado por diversas transformações desde o início dos anos 90, mudanças estas que só têm atraído cada dia mais pessoas para lá, seja a turismo, lazer ou a trabalho. E a nossa jovem designer inclui-se alegremente nessa leva de novos visitantes e inquilinos que para lá se deslocam.
Aquela velha imagem de um centro degradado e perigoso onde pessoas transitam apreensivas e puramente a trabalho, já não é mais corriqueira. Ao contrário do que se imagina, estatísticas atualizadas da polícia mostram que a região é muito segura e tem o menor indíce de assaltos e furtos de toda a Cidade. O que se vê hoje é uma nova reforma, uma nova instituição cultural, um novo movimento de revitalização surgindo a cada dia, seguindo assim uma tendência mundial de recuperação da história recente e do patrimônio histórico.
Somente nos primeiros meses de 2007 duas grandes obras já foram entregues: a Praça da Sé, que recebeu rampas para deficientes, espelhos d'água e teve suas mais de 20 esculturas restauradas, e a Praça da República, que foi totalmente reformada para continuar recebendo a população e os turistas que a frequentam nos finais de semana para a tradicional feira de artesanatos.Outras áreas centrais como Vale do Anhangabaú e Ladeira da Memória já foram restauradas com apoio da iniciativa privada e muitas outras estão em fase de aprovação de orçamento público e privado.
Instituições culturais como o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), Centro Cultural da Caixa e as novíssimas livrarias Martins Fontes e da Unesp, atraem um grande número de estudantes, turistas e paulistanos durante a semana e também aos sábados e domingos, o que têm feito com que a ocupação noturna do centro e automaticamente a segurança pública aumentem nos locais de maior circulação.
E por falar em ocupação central, dois novos empreendimentos residenciais estão sendo construídos na região da República e da Santa Cecília, quebrando um jejum de mais de 20 anos sem um novo investimento imobiliário sequer. Prova de que a população está retornando à região por escolha própria, pois além de ser uma alternativa barata aos urbanóides, a região oferece facilidade de locomoção a qualquer uma das regiões da cidade.
Com infra-estrutura incomparável, o centro oferece uma variedade enorme de restaurantes e bares, casas de show, teatros e cinemas, prédios e praças históricas, igrejas, ruas especializadas e sobretudo facilidade de acesso. Uma lista completa de atrações pode ser conferida neste link.
Entidades de grande importância para a cidade, têm trabalhado firmemente em função dos bairros centrais, dentre elas vale citar as ONGs Viva o Centro e Centro Novo. Apesar de terem propostas diferentes, ambas procuram atingir um mesmo objetivo: a revitalização do centro e o desenvolvimento sustentável.
Gina Valone
outubro de 2007
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